Vôlei feminino “atropela” em estreia na olimpíada

Renata Rondini
Do Rio de Janeiro

Uma estreia que podemos chamar de ‘piece of cake’. A seleção feminina de vôlei desfilou na estreia na Rio 2016, sem nenhuma ameaça, e pode se deliciar com o apoio da torcida no ginásio do Maracanãzinho. Disputando uma olimpíada pela primeira vez no vôlei feminino, Camarões não fez frente ao poderio brasileiro e o técnico José Roberto Guimarães teve até a oportunidade de rodar praticamente o time todo ao longo do confronto que terminou com 3 sets a 0 para o Brasil com (25/14, 25/21 e 25/13) em 1h10.

“Eu tinha duas preocupações neste jogo. A ansiedade de estreia e risco de alguma jogadora se lesionar. Quase que no segundo set um choque no bloqueio entre a Sheila e a Fabiana poderia ter acontecido algo, mas temos um anjo da guarda. Tive a chance de colocar todo mundo para jogar, então acabou esta ansiedade. Todo mundo atacou, rodou bola, defendeu, agora é pensar no próximo”, avaliou o técnico José Roberto Guimarães que no jogo contra Camarões só não colocou na partida a central Thaísa, que com uma contratura na panturrilha retornará normalmente aos treinos em dois dias.

Todas as atletas foram unânimes quanta a deliciosa sensação de jogar em casa com os gritos e energia dos torcedores, tanto que ao fim da partida elas fizeram questão de sair em trenzinho rodando a quadra para quem estivesse mais perto pudesse fotografá-las e até dar um cumprimento.

“Surgiu na hora. Queríamos agradecê-los pela energia, o apoio excepcional e só virar de um lado e outro, não seria suficiente. Tentamos nos aproximar mais”, disse a atacante Sheila, autora da ideia. E as meninas garantem que pode virar a marca delas nestes jogos olímpicos o ‘trem do agradecimento’.
E como a tônica em Olimpíada é jogo a jogo, a seleção de vôlei feminino já está com a cabeça na Argentina, adversária de segunda-feira, às 22h35, pela segunda rodada.

Coração de mãe e atleta

A partida contra Camarões teve um sabor ainda especial para a levantadora reserva Fabíola. A atleta teve uma corrida contra o tempo para estar na Rio 2016. Após a chegada de sua segunda filha, Annah Vitória, em maio, a jogadora fez todos os esforços para recuperar a forma e ser confirmada na equipe do técnico José Roberto Guimarães. E na estreia pisar na quadra, foi a certeza de que o objetivo foi cumprido.

“É minha primeira olimpíada, teve emoção, frio na barriga em tudo. Na entrada na Vila, na troca de uniforme, assistindo à cerimônia de abertura e estar aqui no jogo, quando ele me chamou para entrar. Eu estou aqui para ajudar, pronta, seja para dar água para as meninas, para estar na quadra, na hora que ele precisar”, comentou Fabíola, que havia feito sua última partida oficial em dezembro passado.

Zé Roberto demonstrou total confiança na recuperação da atleta e conta com ela na estratégia do time para buscar o ouro olímpico. “Está bem. Ela treinou para isso, se dedicou para isso. Ela já tem a experiência de ter jogado com estas jogadoras pelo Osasco, então está tranquila. Estou feliz porque ela está feliz. Nos treinos ela tem feito defesas importantes, rolamentos, além da precisão das mãos que ela tem. Tenho total confiança se precisar contar com ela”, garantiu o técnico tricampeão olímpico.