Da disputa para a torcida. Atletas vivem a experiência de serem expectadores

Renata Rondini
Do Rio de Janeiro

Um trio experiente que já viveu o gosto de estar em um pódio olímpico. Na Rio 2016 eles estarão na torcida, mas sem deixarem a emoção e adrenalina de lado, claro. Os medalhistas olímpicos Maurício, Maurren Maggi e André Domingos conhecem bem a realidade dos Jogos Olímpicos e estão confiantes no Time Brasil.

Pela primeira vez, Maurren será expectadora em uma olimpíada. Medalha de ouro no salto em distância em Pequim 2008, a ex-atleta este ano será a comentarista do atletismo na Rede Globo na Rio 2016. Maurren disputou os jogos de 2000, 2008 e 2012 e relembra que a tristeza a impediu de acompanhar a Olimpíada de 2004.

“Naquele momento eu estava triste ainda (Maurren ficou de fora da de Atenas, pois cumpria suspensão por doping). Só vi a conquista do Vanderlei Cordeiro de Lima (bronze na maratona) após um dia do feito, não dava para acompanhar. Como comentarista agora eu tenho que estar alinhada, afinada e mostrar tudo o que eu sei, e também aprender ainda muito com o esporte. Uma olimpíada é diferente da outra, cada uma traz uma sensação. A de 2008 foi a minha Olimpíada.”

O ex-velocista André Domingos e o bicampeão olímpico Maurício também não escondem a ansiedade como torcedores e confiam na performance positiva do Time Brasil.

“Sempre adoramos esta sensação dos Jogos Olímpicos, claro que se pudesse, queria estar lá ao lado do time, com os caras, mas é outro momento. Minha história já foi feita em quadra, agora é a vez deles. Nosso vôlei continua favorito, tanto no masculino quanto no feminino. Caminho fácil não tem em Olimpíada, mas nossas chances são reais”, comentou o campineiro Maurício Lima.

Duelo dos 100m

André Domingos, medalha de prata no revezamento 4×100 metros rasos nos Jogos Olímpicos de Sidney (2000), aposta que Usain Bolt confirmará seu favoritismo no Rio de Janeiro.

“Depois que vi o Bolt correndo a Diamond League de Londres, o cara é único. É impressionante como ele entrou em forma tão rápido vindo de uma lesão. Acredito que ele leva a medalha de ouro nos 200m. O americano Justin Gatlin, que correu 9,80 segundos, está com a melhor marca do mundo, e o Bolt não correu abaixo dos 10 este ano, mas pela prova de 200 metros que ele fez, vai crescer muito nesta olimpíada e com este crescimento será muito difícil bater o Bolt. Vamos ver na história das olimpíadas o único atleta a ser tricampeão nas provas de velocidade: os 100m, os 200m e talvez o 4x100m, pois nesta os americanos vem forte”, analisou.

No Rio de Janeiro, Gatlin e Bolt vão duelar três vezes. A final dos 100m rasos acontece dia 14 de agosto, no estádio olímpico, Engenhão. A decisão dos 200m será no dia 18 e a disputa final do revezamento 4x100m no dia seguinte. Para o garoto pobre que venceu as dificuldades da vida e as barreiras do esporte no Brasil para chegar à uma medalha olímpica, André, que também disputou os Jogos Olímpicos de Barcelona (1992), Atlanta (1996) e Atenas (2004), acredita na presença de atletas brasucas no pódio do atletismo na Rio 2016.

“O atletismo andou bastante, na minha época a gente não tinha nem pista para treinar. Nós conquistamos a medalha de prata em Sidney, mas o lugar que treinávamos era horrível. Hoje a estrutura do atletismo é melhor, os recursos financeiros são maiores, pistas, academiais, materiais, avançou muito. O atletismo brasileiro tem muita chance de subir ao pódio, por exemplo, o revezamento 4×100 feminino pode levar medalha, Fabiana Murer e Thiago Braz no salto com vara, Caio Bonfim na marcha pode ser uma grande surpresa e na maratona também”, finalizou.