Brasil conquista ouro inédito em jogo dramático no Maracanã.

Renata Rondini
Do Rio de Janeiro

Uma conquista inédita dentro do Maracanã lotado com drama que findou nos pés de Neymar na última cobrança da série de pênaltis. Parece que o destino planejou que o primeiro ouro do futebol brasileiro em Olimpíadas viesse com um cenário e enredo dignos de grandes histórias épicas (superação, drama, muito drama e triunfo).

A Seleção Brasileira venceu a Alemanha nos pênaltis por 5 a 4 (1 a 1 no tempo normal e prorrogação), ontem, nos Jogos Olímpicos Rio 2016 e pela primeira vez chegou ao alto do pódio, depois de ter garantido três pratas e dois bronzes em edições anteriores.

Depois de uma pintura de Neymar em cobrança de falta ao abrir o placar no primeiro tempo, a Seleção encarou o fantasma Alemanha no empate no início do segundo tempo e buscou a superação na prorrogação.

Como para os brasileiros tudo é conquistado com muito esforço e determinação, nas cobranças de pênalti, Weverton defendeu a quinta cobrança alemã de Petersen e Neymar com toda destreza e direito a paradinha cravou a primeira medalha de ouro olímpica do futebol brasileiro. O Maracanã explodiu de emoção e soltou o grito de é campeão.

A trajetória do Brasil na busca por este ouro foi cheia de pressão, dramas e superação. Na primeira fase da Olimpíada, a Seleção Brasileira apresentou algumas dificuldades. Empatou com África do Sul e Iraque sem gols, antes de embalar e golear a Dinamarca para garantir a classificação. No mata-mata, vitórias tranquilas sobre Colômbia e Honduras garantiram a vaga na final. E na hora da decisão, brilhou mais uma vez o talento de Neymar, a determinação dos garotos e o sangue frio para buscar o tão desejado ouro nos pênaltis.

A conquista do alto do pódio no Maracanã traz de volta à torcida brasileira o doce sabor de ver a Seleção triunfar.

O jogo

As duas seleções começaram o jogo bem postadas em campo sem dar espaços, gerando uma briga intensa pela bola. Tanto que o gol do Brasil que abriu o placar veio de um lance de bola parada com a maestria de Neymar. O atacante marcou aos 26 minutos do primeiro tempo ao cobrar falta no ângulo, Horn vou, mas viu a bola bater no travessão e entrar.

A maior estrela da atualidade do nosso futebol saiu para a comemoração à la Bolt, com o típico gesto do raio. E a lenda do atletismo, que marcou história na Rio 2016, estava presente no Maracanã para reverenciar a genialidade do craque. Bolt filmou o lance de Neymar e aplaudiu de pé.

O Brasil continuou com boa posse de bola, mas pecou nas finalizações. Logo aos 13 minutos do segundo tempo a Alemanha chegou ao empate. No erro de saída de bola de Marquinhos e Walace, o lateral direito cruzou na meia altura e Meyer sozinho no meio da área bateu de primeira.

Daí em diante foram momentos tensos, com erros de finalizações do Brasil, pressão alemã e para desespero da torcida a partida foi para a prorrogação. Nos minutos finais, Luan ainda teve uma chance cara a cara com o goleiro para encerrar o drama, mas desperdiçou.

E a história só teria um fim nos pênaltis. Quando Weverton foi convocado a habilidade em defender cobranças foi levada em conta e ele era o predestinado desta história épica. Com 4 a 4 nas cobranças, ele defendeu a cobrança de Pertersen. O ouro estava na pontaria de Neymar que bateu com total frieza para explodir o Maracanã de alegria. A busca incessante pelo inédito ouro olímpico havia terminado de modo bem brasileiro: drama e emoção.

Ficha técnica:

 1 (5) BRASIL
Weverton, Zeca, Rodrigo Caio, Marquinhos e Douglas Santos; Walace e Renato Augusto; Gabriel (Felipe Anderson – 24’/2oT), Luan e Gabriel Jesus (Rafael Alcantara – 1’/ 1oT da prorrogação); Neymar. Técnico: Rogério Micale

1 (4) ALEMANHA
Horn, Klostermann, Süle, Ginter e Toljan ; Sven Bender (Proemel – 21’/2oT), Lars Bender e Meyer; Brandt, Selke (Petersen – 31’/2oT) e Gnabry. Técnico: Horst Hrubesch

Gols: Neymar, aos 26′ do 1oT; Meyer, aos 13′ do 2oT. Local: Maracanã, Rio de Janeiro. Juiz: Alireza Faghani (IRN). Público: 63.707 pagantes. Cartão amarelo. Zeca (BRA); Süle (ALE).